Amas de leite não foi uma invenção brasileira. “A prática
das mães ricas delegarem às amas-de-leite a tarefa de amamentarem as crianças
foi trazida de Portugal para o Brasil”, escreve Gilberto Freyre em Casa Grande
& Senzala. Sem mãe preta, talvez não houvesse nem Brasil nem brasileiros.
As meninas brancas casavam-se muito cedo, logo depois da primeira menstruação.
Quando não morriam de parto, não tinham fartura de leite. “Entregar as crianças
às mucamas para que fossem amamentadas e cuidadas era a alternativa possível”.
Escolhiam-se as amas de leite, continua Freyre, entre as
mais limpas, mais bonitas, mais fortes “para dar de mamar a nhonhô, para
niná-lo, preparar-lhe a comida e o banho morno, cuidar-lhe da roupa, contar-lhe
histórias, às vezes substituir-lhes a própria mãe”.
Para as escravas, ser mãe
preta era a chance de sair da senzala para a casa grande. Mas a proximidade com
os senhores as deixava mais expostas ao abuso sexual.
As mães negras forjaram o povo brasileiro às custas de si
mesmas e de seus filhos. Salve elas.
Qual sua opinião sobre esse assunto? deixe seu comentário abaixo.


Social Plugin