A música assume um papel determinante na capoeira angola. È através da
música tocada e cantada que o capoeirista imprime o ritmo do seu jogo, se
movendo e brincando conforme os toques e o que é recitado no momento.
Toque e jogo se amalgamam, definem-se e redefinem-se constantemente.
Ora o jogo determina o toque, ora o toque induz a certo tipo de jogo.
Quando capoeiristas aceleram seus movimentos dando ao jogo maior
mobilidade e velocidade, todos os toques e cantos são também, acelerados.
O inverso também se verifica.
O berimbau1
é instrumento chave para a determinação do jogo da capoeira.
Através dos seus toques os capoeiristas saberão quando iniciar, acelerar,
finalizar ou desacelerar um movimento. O berimbau dita o jogo da
capoeira.
Três berimbaus conduzem um jogo. Eles se completam assumindo em
conjunto cada um a sua função. São eles o Gunga, a Viola e o Médio. A
função do Gunga é marcar, fazer a marcação do ritmo, possui tessitura
grave. O médio possui tessitura média, faz o toque de forma linear
assegurando a homogeneidade rítmica e a Viola, o menor berimbau, possui
tessitura aguda. È a viola que sola, improvisa e dá beleza ao toque
Anuciação (1990).
Compondo a parte musical, encontra-se a bateria que se
constitui de um atabaque, um ou mais pandeiros, um agogô, um reco-reco e
um caxixi.
É interessante mencionar aqui que a parte musical cantada da capoeira não
esteve presente desde as suas origens. O jogo era realizado, porém gerado
pelo som dos instrumentos musicais, a parte recitada não compunha o
início dos jogos de capoeira.As ladainhas, corridos e chulas, aos quais me
1
“ Acompanhamento indispensável no jogo da capoeira, é feito de arco de madeira curvo, retesado por
um arame, na parte de baixo tem meia cabaça ( amarrada com barbante) que funciona como caixa de
ressonância, que é apoiado e afastada da barriga do tocador, esse encosta e afasta uma moeda, que faz
vibrar ma vareta.A mão que segura a vareta marca o ritmo ao mesmo tempo com o caxixi, espécie de
chocalho que se prende no dedo indicador médio”. Cânticos de Capoeira- mestre burguês.Antônio Carlos
de Menezes 2
dedicarei nas próximas páginas, só irão adquirir importância a partir das
décadas de 30 e 40, tratando-se, portanto de um fenômeno bastante recente
Biancardi (2006).
O grupo ordena-se num formato de roda, na capoeira angola, os integrantes
sentam-se no chão. Os músicos posicionam-se em frente e esse
semicírculo, também em posição semicircular, fechando assim essa roda. A
bateria, parte percussiva que compõe o conjunto musical se posiciona
imediatamente nos dois extremos dos berimbaus, os berimbaus assumem o
centro dos instrumentos.
Dois angoleiros, denominação dada aos integrantes da capoeira angola,
descem aos pés do berimbau para dar início a este longo rito, os outros
participantes permanecem ao seu entorno em posição circular. Na capoeira
angola é importantíssimo que durante todo o tempo de uma roda o círculo
permaneça fechado.
É fundamental que a “energia da roda” não se quebre,
disperse ou ache uma brecha para sair. Uma brecha, neste caso, para que a
energia se esvaia, seriam os participantes da roda sentados em posição por
demais relaxada deixando um grande espaço entre um e outro. Portanto,
toda vez que jogadores se posicionam ao pé do berimbau para iniciar seu
jogo, as pessoas que estão sentadas procuram ajustar-se para que o círculo
esteja sempre fechado.Quando por acaso, na dispersão dos participantes, a
roda apresenta “buracos”, os próprios participantes chamam atenção um do
outro ou o mestre ou responsável pelo Gunga, chama atenção dos
integrantes, podendo até mesmo parar a roda, para que se posicionem
corretamente de modo que “a energia da roda” não saia dali, permaneça. È
importante fechar a energia para dentro da roda de capoeira.Outra parte
fundamental no tocante à “energia da roda” é que os participantes estejam
2
A roda é o nome dado à composição de todos os jogos. Uma roda pode levar
geralmente, de 2 a 4 horas. 3
sempre atentos e cantando em coro.
Não basta estar simplesmente
concentrado no jogo, admirando e observando todos os golpes e contragolpes
sem cantar.Quem está na roda, sentado nela, tem que observar o
jogo e esperar a sua vez, cantando. O coro tem que se manter firme, o que
não é uma tarefa fácil, principalmente quando as rodas se alongam por três
ou mais horas.
Quando todos os componentes estão prontos e os dois primeiros jogadores
já se posicionam em frente aos berimbaus como sinal de início do ritual e
reverência,o uma ladainha é cantada e durante sua recitação todo o grupo se
concentra para dar início ao jogo.As feições nesse momento ficam sérias e
o coro é vigoroso no final da ladainha.Há um misto de seriedade e
apreensão no início de um jogo.
È um momento de exposição total e de
expressão do capoeirista. È nesta hora que ele vai trançar todo o
conhecimento aprendido em relação a canto, toque de instrumentos, ataque,
defesa, como também o aprendizado mais subjetivo relativo à malícia,
malandragem, mandinga e autocontrole.Letícia Vidor, historiadora paulista
no Seminário de Estudos e Pesquisa Sobre a Capoeira, realizado no dia 19
de março em Salvador, apresentou resultado de sua tese de mestrado sobre
a capoeira e trouxe como um dos pontos chave do seu trabalho, o espaço da
roda de capoeira como metáfora do espaço social.O jogo de capoeira como
um espaço em que em todo o tempo há uma conformação e o combate,
assim como na vida utiliza-se das estratégias cotidianas para alcançar uma
liberdade, para conquistas de espaços e de poder.
Tanto na roda como na
vida há constantes negociações que resultam ora em perdas, ora em ganhos.
O início do jogo numa roda da capoeira é considerado para os envolvidos,
um momento bastante solene. Na maioria das vezes é o mestre, em posse
do berimbau Gunga que dá início a este ritual cantando uma ladainha. Na
sua ausência esse papel pode ser desempenhado tanto por seus alunos mais
avançados ou por um dos que estão posicionados aos pés do berimbau. 4
Há três tipos de músicas (cantigas) cantadas no jogo da capoeira angola.
São elas a ladainha, os corridos e as chulas. Os três estilos de letras que
compõem o jogo da capoeira angola, que são cantados em determinados
momentos do jogo, trazem em seu corpo, ensinamentos, chistes, lições. São
cantigas de roda, de mal-dizer, de escárnio, algumas de desafio, outras de
conteúdos etnográficos, históricos ou de devoção aos mestres. Em
conjunto, essas cantigas representam parte da identidade do capoeirista,
expressa a filosofia que conduz o jogo da capoeira angola. A música na
capoeira tem a finalidade de dar o tom do jogo, tornando-o mais tranqüilo,
agressivo, brincalhão ou mais amistoso de acordo com a letra que no
momento do jogo é cantada. Explicarei os corridos e as chulas na medida
em que eu for avançando. No momento me concentrarei na ladainha.
A ladainha assemelha-se a uma oração. Através dela louva-se a Deus, ao
mestre e a própria capoeira.
È a mais longa das canções. Através desta,
histórias são contadas, podendo ser partes de momentos importantes da
história do país, que possuam relação direta com a comunidade negra
brasileira, antigos mestres podem ser reverenciados e suas peripécias e
habilidades narradas em uma ladainha. Louva-se a Bahia, Angola e África
como um todo. Algumas dialogam diretamente com algum importante
personagem da história do Brasil.
Bancardi (2006) ao referir-se aos cantos da capoeira diz tratar-se de
readaptações de antigos “martelos” (versos decassílabos usados em
composições satíricas e heróicas) e das xácaras que são narrativas
populares portuguesas e advindas das cantigas de roda ou até do samba de
roda.
As ladainhas possuem basicamente o caráter narrativo, são longas,
recitadas em um longo solo e seguidas no final por um coro.
Na seguinte ladainha, escrita pelo Mestre Toni Vargas, sugere um diálogo
com a princesa Isabel (1841-1921), filha do Imperador D. Pedro II que 5
assinou a Lei Áurea em 13 de maio de 1888.No momento em que assinou a
lei, que extinguia a abolição no Brasil, o país atravessava um forte
momento abolicionista que eclodia em todo o país, marcado por fugas de
escravos em diversas regiões brasileiras.
A Inglaterra, interessada na conquista de mercados consumidores
pressionava o ocidente para que abolisse a escravatura. O Brasil foi o
último país do ocidente a tomar tal decisão e em 13 de maio, a princesa
Imperial Regente, em nome de Sua
Majestade D. Pedro II decretou uma lei terminando com a escravidão no
Brasil. Esta lei constava somente de dois únicos artigos:
Art 1º É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão do Brasil.
Art 2º revogam-se as disposições em contrário.
Ora, como não poderia receber críticas uma lei que tratava de assunto tão
sério e complexo ficar resumida a dois únicos artigos? Não houve nesta lei
qualquer menção sobre mecanismos de integração, incorporação ou plano
de vida para os ex-povos escravizados.
É neste tom de crítica, compartilhando com a dor de seus ancestrais que o
mestre capoeirista Toni Vargas, escreve a ladainha Dona Isabel:
Dona Isabel que história é essa
De ter feito a abolição
De ser princesa boazinha
Que libertou a escravidão
To cansado de conversa
To cansado de ilusão
Abolição se fez com sangue
Que inundava esse país
Que o negro transformou em luta
Cansado de ser infeliz 6
Abolição se fez bem antes
E Ainda há por se fazer agora
Com a verdade da favela
Não com a mentira da escola
Dona Isabel chegou a hora
De se acabar com essa maldade
De se ensinar aos nossos filhos
O quanto custa a liberdade
Viva Zumbi, nosso gueirreiro
Que fez-se herói lá em Palmares
Viva a cultura desse povo
A liberdade verdadeira
Que já corria nos quilombos
E já jogava Capoeira
Na primeira estrofe desta ladainha quando o autor recita “Dona Isabel que
história é essa, de ter feito a abolição”, esta expressão “que história é essa”
carrega em si alguns sentidos. Quando se faz esse questionamento, há
certamente uma forte indignação, como se perguntasse “Que invenção é
essa?” Ou “Que mentira é essa?” Desta forma o autor questiona a mentira
da abolição. Não que esta não tenha se concretizado, mas pela forma “sem
compromisso” pela qual esta se realizou.Com a abolição da escravidão no
Brasil iniciou-se um novo processo de exclusão que até hoje ressoa na
sociedade brasileira.Esta ladainha traz vários elementos importantes,
momentos históricos distintos, porém que se completam, o ato da abolição
em 1888 e a luta de Zumbi dos Palmares em 1794.
Faço aqui um breve adendo histórico para contextualizar palmares.
Desde o início da colonização brasileira pelos portugueses, de acordo com
Funari (2001) foi implantado o cultivo da cana-de-açúcar. Este açúcar 7
estava geralmente localizado no nordeste brasileiro e o seu refinamento era
feito pelos holandeses que se localizavam na área pernambucana. Muitos
povos escravizados fugidos da servidão do plantio e de seus senhores
aglomeraram-se numa região montanhosa, a sessenta quilômetros da costa
nordeste brasileira e passou a ser conhecida como Palmares.
Era na verdade uma região que era constituída de 9 aldeias, e estas, eram
temidas, eram consideradas uma ameaça, não só para os Holandeses que se
situavam próximos, como também para a república. Imagine a ameaça que
poderia significar para a nação aquela terra onde negros rebeldes teriam se
refugiado e formado um estado independente anti-escravocrata. Quando os
holandeses foram expulsos, Palmares foi atacada várias vezes pelos
portugueses, que tinham a intenção de destruí-la.
Os dados sobre o local
possuem muitas controvérsias relacionadas ao numero de aldeias, casas e
habitantes, porém constatou-se que a população não só era constituída de
negros, como também, ameríndios, sendo estes representantes de 20 % da
população. Porém estima-se que houve uma população de vinte mil pessoas
na serra da barriga. Dentre os diversos ataques à região, em 1794 a região
de Macaco foi destruída e o rei de Palmares, Zumbi, morto no ano
subseqüente.
A serra da barriga foi declarada patrimônio cultural da humanidade em
1980.
Esta conquista foi devido aos sérios esforços do movimento negro
para que se estudasse e visse reconhecida uma comunidade modelo de um
estado moderno. Depois da ditadura militar os estudiosos tiveram a
liberdade de poder estudar Palmares e reconhece-la como importante centro
para conhecimento de nosso passado.
Para FUNARI, Palmares foi destruída por tratar-se de um estado negro.
Portanto, quando o autor da ladainha agrega diferentes momentos
históricos, como a luta de Zumbi dos Palmares em defesa de um Estado em
sua maioria negro e antiescravocrata que foi destruído pela nação, e a 8
“dita” abolição da escravidão que veio mais tarde, porém sem um plano
que a sustentasse, o autor da ladainha pretende fazer uma queixa de dois
momentos históricos que se estruturam na exclusão e racismo.
Uma ladainha sempre vem seguida de uma chula, e imediatamente após
vem o corrido.
Tanto chulas como os corridos seguem a lógica chamado-resposta, mas o
que diferencia as chulas de corridos é que nestas, são homenageados,
mestres, Deus ou quem mais merecer o devido respeito de ser
homenageado.Alem disso na chula, repete-se o mesmo verso cantado,
diferente dos corridos que podem apresentar respostas diferentes
Iê, viva meu Deus.
Iê viva meu Deus, camará.
Iê viva meu mestre
Iê viva meu mestre camará,
Iê, quem me ensinou
Iê quem me ensinou, camará
Iê a capoeira
Iê a capoeira camará
Iê a malandragem
Iê, a malandragem, camará
Iê, volta no mundo
Iê volta no mundo, camará
Iê, que o mundo deu,
Iê, que o mundo deu, camará
Iê, que o mundo dá,
Iê, que o mundo dá, camará
Nesta chula, além de reverenciar à Deus e ao mestre, quem ensinou a
capoeira, faz-se menção as voltas do mundo . Quando em Português diz-se:
O mundo dá voltas, quer dizer que as situações podem se inverter com o
passar do tempo, uma situação ruim, não permanecerá para sempre assim,
nem tão pouco uma situação confortável se manterá nesta condição, quem
hoje está embaixo, amanhã pode estar em cima e vice-versa. O mundo deu
voltas e sempre dará.A impermanência da vida é também louvada.
Terminada a chula, segue-se imediatamente o corrido.
O corrido anuncia que o jogo da capoeira já poderá começar.Assim que se
finaliza o canto do corrido, os jogadores iniciam seus movimentos no
sentido do centro da roda. Biancardi (2006) considera os corridos, canções
alegres e vibrantes, geralmente , como o próprio nome diz, possuem uma
velocidade mais acelerada, que induz o capoeirista a se movimentar mais
rápido.
Enquanto as ladainhas compõem-se basicamente de louvações, histórias de
mestres habilidosos, odes e fatos históricos, os corridos possuem um tom
mais lúdico, fala de advertências, do destemor, de alguém que é
considerado venenoso como uma cobra, ou tão habilidosa quanto esta, nos
corridos manda-se jogar um capoeirista no chão repetindo “pega esse nego,
derruba no chao”, ou dá-lhe uma rasteira, canta-se “A bananeira caiu”,
quando por um golpe, um habilidoso capoeirista foi posto ao chão. O que é
bastante notável no jogo de capoeira é que os tocadores de berimbau, em
especial quem está tocando o gunga, o berimbau de tessitura grave, ou
quem está puxando os corridos, além de tocar, está muito atento ao jogo, o
que faz com que determinados corridos sejam escolhidos em momentos
específicos. Geralmente os corridos não são escolhidos aleatoriamente, na
maioria das vezes há um motivo particular pelo qual uma canção é
cantada.
Geralmente, opta-se por uma canção em decorrência do tipo de
jogo que está sendo realizado ou em função de um golpe, ou da pessoa que 10
está jogando. Muitas vezes os corridos são lançados para tornar públicas
querelas antigas entre capoeiristas, ou para explicitar um sentimento de
respeito e irmandade. Às vezes fala-se de espaços públicos, como feiras,
praças, vendedoras de quitutes. O universo narrado nos corridos é o
universo da capoeiragem, o espaço urbano, a rua, os transeuntes, as moças
faceiras, a mulher que chama seu marido, os berimbaus que tocam, o mar, a
rainha deste mar, e a própria capoeira angola, os angoleiros. Todo o
entorno da vida de um angoloeiro é capturado e exposto através das chulas
e corridos cantados numa roda de capoeira.
O tom vibrante ao qual se refere Bacardi faz-se presente no coro.
Há um
jogo de pergunta-resposta. Gilroy (2001) fala que esses diálogos negros,
por vezes amargos trazem um lembrete de um momento democrático e
comunitário que é observado quando se utiliza a antífona (verso cantado
seguido de um coro) e através dessas, novas relações de não-dominação são
estabelecidas. Diz:
“As fronteiras entre o eu e o outro são borradas, e formas especiais de
prazer são criadas em decorrência dos encontros e das conversas que são
estabelecidas entre um eu fraturado, incompleto e inacabado e os outros. A
antífona é a estrutura que abriga esses encontros essenciais”.
A antifonia é um fenômeno que fundamenta toda a música cantada na
capoeira angola já que se baseia em todo tempo por um chamado-resposta.
Imprime nas chulas e corridos uma característica muito forte dando espaço
para a improvisação, o que é cantado tem ligação com o que foi
experienciado naquele determinado momento. As chulas, ladainhas e
corridos dão significados a prática da capoeira angola.
Tem dendê, tem dendê
O jogo de angola tem dendê
Tem dendê tem dendê
O jogo de baixo
Tem dendê,
tem dendê
Aqui no Gecap tem dendê
Tem dendê, tem dendê
O mestre pastinha tem dendê
Tem dendê, tem dendê
João grande tem dendê
Tem dendê, tem dendê
O jogo de angola tem dendê
Tem dendê, tem dendê
Jogo de Dentro tem dendê
Tem dendê, tem dendê
Neste corrido utiliza-se a repetição tem dendê. O dendê é um azeite
extraído do dendezeiro, planta da costa oriental africana, mais
precisamente, do golfo da Guiné, foi trazida para o Brasil na época em que
para lá foram os primeiros povos escravizados.Sua utilização está muito
presente na chamada culinária baiana, que são pratos, em sua maioria,
derivados dos povos africanos. O dendê, além de proporcionar uma cor de
açafrão aos alimentos, também dá um forte sabor.
Quando alguém, na Bahia se refere a uma pessoa, dizendo “aquele, ou
aquela ali é do dendê”, quer expressar que aquela pessoa é iniciada na
religião do candomblé.
Já na capoeiragem, quando sugere que um mestre
ou mestra ou alun(o) a têm dendê, significa que a pessoa além de
habilidades físicas comprovadas no jogo da capoeira, conseguiu agregar 12
características de mandinga (ludicidade), malícia e malandragem.
Elementos essenciais para um bom capoeirista.
Assim, neste corrido fala-se desse conjunto de habilidades adquiridas pelos
mestres, Pastinha, Jogo de dentro, João Grande, o GCAP que foi escola de
grandes mestres contemporâneos, além de qualificar o próprio jogo da
capoeira angola.
A capoeira, de acordo com os estudos realizados sobre esta, afirma Flavio
Gomes (2008), advém da urbanidade. Não ha relatos, ate o momento, de
que esta luta esteja associada aos povos escravizados rurais.A capoeira é
uma luta surgida no contexto diaspórico que faz parte da cultura escrava
urbana do século XIX . Assim , falar de uma construção identitária neste
contexto ‘e referir-se a uma pratica inserida e antenada a realidade que se
apresenta no ambiente das cidades, das ruas, feiras e praças, trazendo
subjacentes, subjetividades,identidades diaspóricas, a escravidão, e o desejo
de libertar-se e expressar-se.
13
Bibliografia
Biancardi, Emília
Raízes musicais da Bahia/Emília Biancardi
Savador:Omar G.,2006 392p:il
Anunciação, Luiz Almeida
A percussão dos Ritmos Brasileiros-Sua técnica e sua escrita
O berimbau,caderno 1.1990.138p.Editora Europa
Letícia Vidor( São Paulo)
Mesa redonda –Capoeira, História e Cultura
Seminário de Estudos e Pesquisa sobre capoeira
Capoeira Viva 2007
Gilroy, Paul
O Atlântico negro:modernidade e dupla consciênci/Paul gilroy;tradução de
Cid Knipel Moreira-São Paulo: Ed;Rio de Janeiro;Universidade Candido
Mendes, Centro de Estudos Afro-Asiáticos,2001.432p


Social Plugin